Tu qué sabê como cheguei aqui?! Comecei intregano leite, mas tava treta.

A guerra era zuada pra todo mundo. Só o Pinha e o Ferrero tava de boa. O Pinha tirava uma grana nos vídeo que punha na internet xingano pá carai. O Ferrero tava lá na cadera dele, mandano e dismandano. Os meu perrengue, todo mundo tava cagano, mas deixá de bebê o leite, ninguém quiria. E ’inda bem, senão tava fudida. Mas, porra… dá um trampo federal levá leite no calcanha no meio dessas buraquera. Tudo por causa dessas ideia errada do Pinha.

Tipo, não que eu seja fã do diabo do presidente e tal. Porra, o véio era um capiau capital e mandava no sangue, na cura e na morte, manja? Controlava as fábrica de arma, remédio e até dos funeral. Pacote completo. Aí, bum! Viero c’um papo de sei lá o quê comunista, livre mercado não sei das quantas, essas porra. Só sei que o sujeito ficô puto. Eu prefiria o outro governo, era mais tranquilão, mas faltô um parafuso ali, né? Compraro briga c’o dono da morte? Porra! O véio chegô explodino tudo e agora faz o que qué.

O povo todo ficô na merda. Poca cumida, grana, tudo. Aí o Zé do Boi me falô do leite. “É barato e enche o bucho.” Ele tava procurano um intregador dos bom, porque a neta dele tava duentinha, coitada, e ele num pudia ficá saino toda hora. Taí! Eu que n’era boba nem nada, entrei na mamata. Saía todo dia c’a charanga pra levá leite pras casa cedão, trampava duas, três horinha e ganhava uma grana. O Ferrero, sem querê, deu uma salvada nas minhas conta.

Só que aí tinha que aparecê um puto d’um herói, né?! O Pinha. Muleque de dezesseis ano, tinha nem pelo na cara inda. Nem limpá bunda sabia direito. Nem chupá uma xereca. Mas salvá o mundo, achava que pudia. Ia vencê a guerra. Porra nenhuma! Só falava merda pra ganhar fama na internet de um band’i catarrento. Quero vê chamá o Ferrero de cuzão c’um cano apontado no nariz. O cara ’inda pede ismola nos vídeo. Tipo… pede pros fã, que ele chama de “aliado” pagá sei lá quanto por mês pra ele se prepará pro combate. Nada vê iss’aí. O bicho só tá disgraçano a cabeça duns pirralho qu’essas merda.

Daí o Ferrero ficô pistola c’os vídeo. Tava na cara. É tipo falá merda pro dono da bola mimadinho. Pior que ninguém mais sabe que é isso: jogá bola c’os outro na rua. Foda-se. O Pinha se fudeu. Fez grana c’o nome do bichão, beleza, mas agora tem que guentá, né não? Só que aí ele ficô todo cagado. Mas dá pra trás num ia rolá. Ia sê muita viadage. Começô a fazê vídeo todo dia. Menos ódio, mais propaganda. Chamava de Diário de Guerra, eu acho. Herói da pátria, modinha de internet. ’Té parece. Vai dormí, véi!

Só que aí, inquanto o bonitão faturava um troco c’a guerra, eu só me fudia, né?! O Ferrero ficô locaço de birita e as bomba começaro a caí. A cumida e a gasosa começaro a sê istocada pros militar e as vaca ficaro tudo magrela, tipo modelo cabidera. Odeio essas puta. Tudo feia e se acha. Minha bunda nunca precisô entrá n’uma Vitória Sícreti pra conseguí o que quiria. Sempre prefiri as vaca carnuda… as que muge, e as que não tam’ém.

Do quê eu tava falano memo…?

Ah, pode crê. Intão, c’os tiro, porrada e bomba… onde vi isso…?

Do quê eu tava falano memo…?

Ah, explodino tudo pra todo lado, as rua ficaro cagada, dá nem pra dirigí nem andá direito. Só barrão e intulho. Mas o leite todo mundo ’inda quiria. Comecei a andá umas milha aí no lamaçal c’o meu juelho direito todo inferrujado. Tava osso. Juelho, osso… ’tendeu? Às vezes num sabia se tava ouvino um tiroteio na casa do cacha prego ou se era meu juelho istalando. E eu num tinha nenhum “aliado” pra bancá meu rolê, viu? Tem aquela história de chorá pelo leite derramado etc. e tal, né? Num é meu caso não, viu? Dei meus pulo. Comecei a carregá um canivete meio cegueta na cintura pra me defendê e usá aqueles aplicativo de intrega, manja?

E vô te falá, me mitia n’umas furada foda, hein? N’uma dessas, fui fazê uma intrega lá num motel na Sul. Nunca tinha ído pros lado de lá. Longe pá porra e pediro logo dez litro! O lugar era manero, mas tava sem luz e a porra do elevador e do interfone tava zuado. Subi uns quatro andar c’o juelho na merda, acredita? Aí toquei a campainha e… nada. Puta demora. Quem pede leite no motel e num atende a porta? Toquei de novo e nada. Aí comecei a socá a porta, né?

– Tenho dia todo não, carai! É o leite!

Daí abriro.

***

E aí, vamos brincar do que agora?

O Pinha perguntadou pra nós. Era um belo d’um porcaria na cama. Não sabia comer uma mina e queria duas. Tava brocha e não queria admitir. Machinho alfa é foda, meu. Foda-se, tinha nada pra perder, a grana era das boas. Mas o cara era um merda, fato. A gente fingia forte nos gemidos. Não sabia nem chupar uma xereca, puta língua dura. Não sei que pornô esse puto andava vendo. Esperava mais do herói da nação. Só não tava seca, porque eu e minha irmã tava se pegando.

Focar na história? Tá. Então, eu respondi: do que quiser, gatão e minha irmã falou: tô com sede… que tal um leitinho bem aqui? E apontou pra boca. Ela sabia que não ia ter, né meu? A paumolecência imperou ali. Enfim, ela queria a grana dele também, mas não manjava dos coxa… foi mal, dos polícia. Ela não era minha irmã, irmã, tá ligado? Só era oxigenada que nem eu, mas os caras acredita. É cada fetiche, meu. Por mim, foda-se, sabe? A gente divide o trampo e ganha dez vezes mais. Dessa vez, eu ainda ia ganhar uma bolada por fora do mano lá de cima, sabe? Não, não Deus; o velho lá do governo, o Ferreira… Ferrero, isso.

História, tá. Então, meu, o Pinha quis ser o engraçadão, ou percebeu que a mangueira tava frouxa e não ia sair leite dali, sei lá. Sacou o celular, sabe Deus da onde; se pá do cu, e mandou uma tipo… “Leitinho?! É pra já!”. Enfiou a cara na tela e danou a digitar sei lá o que. Só sei que aproveitei pra dar um bizu no meu telefone também e já mandei aquela mensagenzinha com o endereço pra polícia, né meu?
Aí ele deu um berro: “Puta que pariu!”. Mano, quase caí pra trás. Puta susto. Achei que ia me foder ali, que ele tinha descobrido tudo… Descoberto, isso. Aí ele falou: “Tem memo! Um app pra pedir leite. ’Cês acreditam? Vou pedi uns dez logo.” Aí riu e mostrou a tela pra gente. Ria que nem um pivete. Puta crianção, passando trote num leiteiro, meu. Na hora achei que era mais burrice ainda pensar que o app era pra valer. Quem ia usar um app pra pedir leite, mano?!

Ah, puta risada escrota, sabe? Me secou de vez. Parecia uma hiena asmática, meu. Tava de saco cheio e puxei ele pra cama pra calar a boca dele. sentei na cara dele, sabe? Só que me arrependi rapidinho. Língua de pedra do caralho. Mais escroto era a outra puta tentando levantar o pau de borracha velha e nada. Não saía da molenguice.

Daí a campainha tocou e começaram a esmurrar a porta. Pensei: Eita porra, os homem chegaram! Mas não era. Era uma tia gritando.

– Tem dia todo não, caralho! É o leite!

Não sei se era mais louco o aplicativo ser pra valer ou aquela tia chegar antes das polícia. Os cara tão lento.

***

Daí abriro.

E era o Pinha, heroizin da intenet, dá pra creditá? Tava peladão. Dei aquela manjada, manja? Pra um covarde espinhento, era bem do sacudo. Já o pau num dava nada não; tava meia bomba. De homem memo, só tinha o tamanho. Era lá pros metro e noventa. Vi que tinha duas vaca lá trás; das que num muge, mas c’as teta de fora. Tam’ém tudo magrela, mas as teta siliconada dava de dez nas bicha do Zé do Boi. Eu mamava fácil. ’Cê tam’ém, bicho, aposto. Já tava num dia fudido e puta da cara c’aquela cena. Aí o muleque ’inda me abre a boca pra falá bosta…
– Que tá olhando, tia?, e ele começô a balançá os bago. – Me dá seu leite que te dô o meu, que tal?

Aí mandei um “RÁ!” e falei: Quantos ano ’cê tem muleque? Doze? Pela piada de crianção, né? Porque pelo tamanho do pau, num passa dos oito. As puta riro lá trás. Ele ficô puto. Nunca conheci um cara que num ficasse brabo quando zuava a pica. ’Inda mais esse muleque se achano o rei da cocada preta porque era famozin na internet. – Ele tá pagano bem, fia? Perguntei mais alto pra uma das puta. Ele num deixô elas respondê e começô a gritá.

– Tá tirano, tia?! Sabe com quem tu tá falano? Vô te fudê!

– Qu’esse pau brocha? Vai não. Aí peguei as garrafa do leite logo e mandei: Deu oitenta e cinco pila.

– Cai fora antes que eu te mate, tia. Foi tudo zuera, caralho. As mina pediro meu leite e cê caiu num trote, otária.

– Tá. Vinte mango pela intrega, intão… Ele começô a rí berrano, sacudino a benga mole.

– Tá locona, tia? O leite é oito por garrafa. Ia sê cinco de frete. Que golpe é esse?

– É longe pá carai. Vim da Norte, fio. Carro num anda mais por aqui, por tua culpa. E tenho que voltá sem vendê nada, levano os dez litro de volta. E tô perdeno mó tempo teno que olhá pra sua piroca brocha. Divia cobrá é muito mais!

Aí ele tomô uma garrafa da minha mão e falô:

– Vai se fudê, tia. Vô bebê essa merda já que tá aqui memo.

A burrice do muleque só piorava. Ficô todo retardado, tentano abrí a garrafa. Machão, herói da porra toda, apanhano pr’uma garrafa de leite, acredita? C’o cu de fora, fazeno uma puta força. Parecia que ia se cagá todo. E as puta tentano segurá a risada veno aquela cena ridícula. Eu num quiria vê ele se cagano de verdade, né? Intão, peguei meu canivete da cintura. Adiantô nada porque ele se peidô e a catinga subiu. Não pela força que tava fazeno, mas de medo da faca memo. Começo a dá ré no quibe e dei aquela fungada e fui pra perto dele.

– Que isso, tia? Que cê vai fazê qu’essa faca aí? Perguntô todo mansin. Peguei a garrafa da mão dele e arranquei o lacre c’a faquinha.

Ele relaxô. Depois da ceninha de arregão, quis mostrá que era homem. Virô o leite na ignorância se babano todo. Era muito iscroto; o puto não se ligô que peladão, de pau meia bomba, parecia tê levado um isguicho de porra na boca d’um malandro de pau grosso. ’Inda fez uma careta sofrida depois de virá meia garrafa. Era a piada da vez, mas se achava a bola, manja? Aí soltô:

– Isso que tu chama de leite, tia? Bagúio véio, iscroto. Puta merda! Vô te pagá porra nenhuma.

Pensa num maluco burro! Eu tava c’uma porra d’um canivete na mão, cara. E o pinto dele na minha frente. Já peguei apertano as bola dele, baixei o canivete, encostei a porta c’o pé e empurrei ele até caí na cama; as vaca vuaro pro chão na hora, fugino da cama. Tudo n’um segundo. Ele gritô de novo, dessa vez sem macheza:

– AI, AI, AI, CARAI! MINHAS BOLA! SOLTA! EU PAGO, PAGO SUA PIRANHA! LARGA…!

***

Naquela hora, eu pensei: “Caralho, que que essa tia tá fazendo?! Tá brisada? E os coxa…” é, “… e os polícia que não chega? Preciso sair daqui!”, mandei um “Vamo?” c’a cabeça pra minha irmã, sabe? Mas ela era estúpida pra cacete e pulou em cima da velha, meu! Eu dei um berro e tentei sair correndo, mas tomei um puta susto e caí pra trás me tremendo toda…

***

Aí uma das oxigenada pulô pra cima de mim. Puta burra. Puxei a faca e infiei a faca no silicone dela. Mas tam’ém passô serrano o pau do Pinha. A puta caiu e ele chorô que nem bebê. A otra começô a gritá, paricia uma sirene. Ah, e tinha uma sirene na rua tam’ém. Alta pá cacete, memo lá em cima. Barulhera desgramenta, ’cê nem sabe. Tava com inxaqueca já. ’Inda ia chamá atenção do motel todo. O muleque resolvi rapidin; passei a faca na garganta e ele se calô. A otra gritô mais.

– Cala boca, piranha! Preciso pensá! Apontei o canivete pra ela e ela engoliu o choro. Tava ’custumada a engolí. Eu num sabia o que fazê, a cena tava feia, viu? Nem pelos presunto, o sangue e tal. Imagina aí: uma puta c’uma teta mucha, um pivete c’um buraco no lugar da caceta e pra piorá, a gostosa chorando no canto, babada c’a maquiagem toda cagada. Tav’um puta dragão. Falei pra ela até:

– Ah, pára com isso, fia. Tu tá horrenda! Quando cheguei, até pensei em te mamá. Agora vô tê pesadelo qu’essa tua cara.

– Pesadelo…? Você matô minha irmã e… sabe quem é ele? É o Pinha, tia! Tá ligada? Ele é o herói da nação. Ele que ia lutar contra o Ferreira e você capô o cara.

– Tá, vamo falá: ela não é tua irmã, ele num é herói, tu num dá a mínima pros dois, é Ferrero e tu tá feia pra carai. Vai lavá essa cara. Ela levantô e foi pro banhero, mas não sem ficá resmungando: “Foda-se. Cê tá fudida, tia!” Outra burra que não se ligava que eu tinha um canivete na mão, né? – Cala boca, carai. Aqui o que vamo fazê: tu vai lavá essa sua cara de dragão, tapá esse cu com algum pano e vamo saí daqui. ’Cê vai vim cumigo até me convencê que num vai abrí essa matraca, beleza?!

– Quem fala “matraca”, tia?! Evolui! Era uma puta atrevida, né, não? Fui chegano nela c’a faca mirano o pescoço já. Aí ela: – Xô te falá. Eles tão vino aí, hein?! ’Cê tá fudida.

– Eles quem, carai?

– Os coxa, tia! Num tá intendeno. Eu mandei o endereço pra eles. Tão chegano aq- CAPOU!

Te assustei? Foi mal. Foi os polícia entrano no quarto, pé na porta. O que foi meio tosco, vô falá, porque a porta só tava meio incostada, manja?

– NO CHÃO, CARALHO! Entraro já no grito. Tudo de capacete, colete, a porra toda. Frescurite do caramba. Tudo pra pegá um muleque sozinho c’a bunda de fora. Mas fui pro chão, né? Fazê o quê?! Os cara tava c’as metranca apontada na minha cabeça. Meu juelho tava na merda. Porra, subi uma renca de andar. Demorei um dia e meio pra deitá no chão e joguei o canivete pra longe, né? Sô boba não. Os polícia tava mais afetado c’o muleque na cama, despirocado. Ficaro um tempo fudido da cabeça ali, sem ar. É o que eu causo nos homem, tenho que falá.

– Que… tá rolando aqui?! Quem fez isso? Perguntaro pra puta. Ela apontô pra mim, claro. Perguntei se a mãe dela não ensinô que era feio apontá. Ela respondeu que feia era minha cara. Eu falei que nem tanto quanto a dela. E o polícia falô que feio era a bala que ia botá no meio da nossa fuça se não fechasse o bico. Aí o homem falou:

– Seguinte, ’cê vem c’a gente, tia. Levanta’í! Já fiquei puta. Mó trabalhera pra deitá, agora tinha que levantá pra saí. Mais um dia e meio. Enquanto isso a puta foi negociá c’um dos polícia lá:

– E eu?! E minha bufunfa?

“Bufunfa”, acredita? Depois eu que uso gíria velha.

– Puta ganha dinhero como? Dano e chupano. É o que cê vai fazê pra gente, piranha. Aí a gente te paga, falô?

O capitão começô a me acelerá e depois que levantei, fomo pr’os carro.

Pensei: fudeu, né, bicho?! Matei o muleque lá, vô sê lixada… Linchada? Sei lá. Foda-se. Só que eles não me levaro pro DP não. Levaro pr’uma mansão. Coisa fina, de barão. Manja aquelas árvore quadradinha? Coluna de mármore, porta de uns quatro, cinco metro, essas frescura toda. Entendi nada até entrá e me borrá as calça. Apareceu um cara na minha frente: Donizete Ferrero, acredita? Tomei um sustão, cara. Ele istendeu a mão e todo chicoso falô assim:

– Preciso que me diga seu nome, pra anunciá a responsável pelo fim da guerra, heroína da nação e nova ministra da fazenda do governo.

Porra, beleza, né não? De fazenda, eu manjo. Vendia leite etc. e tal.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s